sexta-feira, 9 de janeiro de 2015



- I –

Una Famiglia Bellato

1818 – 1904 - 2014

ASCENDÊNCIA E DESCENDÊNCIA

DE

PIETRO BELLATO

E

MARIA LIBERA BARION


Permitida a reprodução e a utilização, total ou parcial, das informações contidas neste blog, para o que pedimos seja citada a fonte.


Dedicado a todos aqueles que são,
se ligaram, ou se interessam
pela Família Bellato


Agradecimento

         Agradecemos aos diretores, administradores, funcionários e estagiários do: Arquivo Histórico Municipal de Franca-SP “Cap. Hipólito Antônio Pinheiro”; Arquivo Histórico da Cúria Diocesana de Franca-SP “Dom Diógenes Silva Matthes”; Museu Histórico Municipal de Franca-SP “José Chiachiri”; Centro de História da Família, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias-Franca-SP; Centro de Desenvolvimento e Apoio a Pesquisa Histórica – UNESP – Franca-SP; Primeiro Cartório de Registro Civil de Franca-SP; Cartórios do Primeiro e Segundo Ofício e de Protesto de Títulos e Letras de Franca-SP; Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva da Arquidiocese de São Paulo-SP; Memorial do Imigrante-São Paulo-SP; Arquivo Público do Estado de São Paulo, pelo atendimento e cooperação; e aos amigos e parentes pelo apoio e incentivo, que, ao longo desta caminhada, se fizeram imprescindíveis, em especial ao Dr. José Augusto Bellato, de Campanha-MG, descendente de Angelo Giuseppe Bellato, que nos presenteou com a história de seus ancestrais e com uma cópia da imagem do brasão da família, e ao primo Cassiano Ribeiro Kaluf que nos cedeu as informações iniciais sobre Pietro Bellato, obtidas junto ao Arquivo Histórico Militar de Pádova.
         Lembramos que a maior parte deste trabalho pode ser realizado graças ao material disponibilizado nos respectivos sites, pelo Archivio Storico del Distretto Militare di Padova; pelo Stato Civile del Comune di San Bellino e  pelo Family Search.
        

Sumário

APRESENTAÇÃO

SOBRENOMES CITADOS NESTE TRABALHO

ASCENDÊNCIA PATERNA DE PIETRO BELLATO

DESCENDÊNCIA DE LORENZO BELLATO E ANTONIA CASTALDELLO

ASCENDÊNCIA MATERNA DE PIETRO BELLATO

ASCENDÊNCIA PATERNA DE MARIA LIBERA BARION

DESCENDÊNCIA DE LUIGI BARION E MARIA TRAMARIN

ASCENDÊNCIA MATERNA DE MARIA LIBERA BARION

DESCENDÊNCIA DE PIETRO BELLATO E MARIA LIBERA BARION

RENATO FULVIO BELLATO

EUGENIO ANTONIO BELLATO

FERRUCCIO BELLATO

DESCENDÊNCIA DE FERRUCCIO BELLATO E GINA LEPORONI

ÍTALO BELLATO

DESCENDÊNCIA DE ÍTALO BELLATO E GINA LEPORONI


Apresentação

         Após dez anos de pesquisa, e muitas falsas pistas, comemorando os 110 anos da chegada ao Brasil do casal Pietro Bellato e Maria Libera Barion, acompanhado de seus filhos, temos o prazer de oferecer aos familiares e aos amigos este nosso trabalho intitulado Una Famiglia Bellato - Ascendência e Descendência de Pietro Bellato e Maria Libera Barion. O primeiro da série que compõe nosso projeto GENEALOGIA DE FAMÍLIAS ITALIANAS QUE SE ESTABELECERAM NA REGIÃO DE FRANCA-SP, NO FINAL DO SÉC.XIX, E INÍCIO DO SÉC.XX.
         De acordo com o pesquisador Prof. Antônio de Pádua Maniglia, o sobrenome Bellato tem sua origem em “Belli”, que significa “beleza”, “belo”. Dessa base, também, derivam os: Bellelli, Belletti, Bellino, Bellucci, Bellotti, Bellotto, Bellazzi, Bellami, Bellandi, Bellano, Belluso, Belluschi, dentre outros.
         O sobrenome Bellato, segundo o site www.gens.info, está presente em mais de 182 cidades italianas, com uma alta concentração na região de Rovigo. As origens do nosso ramo estão nas cidades (comunas) de San Bellino, Castelguglielmo e Canda, localizadas na Província de Rovigo, Região do Vêneto, no norte da Itália.
         Pelo que pudemos observar, ao longo de nosso estudo, existem muitos núcleos familiares, no Brasil, que assinam “Bellato”. Entre eles, um radicado, como o nosso, na cidade de Franca-SP. Muitos pesquisadores afirmam terem todos esses núcleos uma ascendência comum.
         Porém, saber se “é parente” demanda muita investigação. Localizar um antepassado em comum pode exigir regredirmos há muitas gerações. A origem de um sobrenome é muito variada, podendo um mesmo nome de família ter procedências diversas (toponímicos, patronímicos, apelativos).
         A toda história de família sempre há algo a ser acrescido. Fica aos descendentes de Pietro Bellato e Maria Libera Barion, o desafio de adicionarem novas informações sobre nossas origens.
          Optamos por não acentuar, nem traduzir, os nomes italianos.

                                                       Sônia Regina Belato de Freitas Lelis
                                                                                                   Walter Antônio Marques Lelis
                                                                            

SOBRENOMES CITADOS NESTE TRABALHO

ALVES TAVEIRA
ANDRADE JUNQUEIRA
ARCHETTI
BARATELLA
BARBUJANI
BARICHELLO
BARION (BARIONI)
BELLATO
BITTAR
BIZINOTO
BRINANZI
CASABONA
CASTALDELLO
CATTO
CAVALLARE
CECCHI
CERQUILHO
CHINAGLIA
CINTRA
CORTEZ
DAIGLINFO
DAL FUME
DEBELLINI
DONEGA
FERRARO
FINARDI
GALLANI
GALLANI
GARCIA
GHINATO
GUARNIERI
GUIDIN
ISIDE
KALUF
KELLNER
LANZONI
LEPORONI
MANEO
MANIGLIA
MARAGNO
MARANHA
MASINI
MELONCELLI
MENEZES
MIGLIORANZA
MONTAGNOLO
MORENO
NASCIMENTO
OLIVEIRA
PASCHOAL
PASCOAL
PASTORE
PAVANELLO
PINI
PIVA
RIBEIRO
RODRIGUES DE FREITAS
ROFRANO
SERVINHO
SGARBOSA (SCARBOSSA)
STOCCO
TRAMARIN
VALENTINI
VERONESI
ZANON


ASCENDÊNCIA PATERNA DE
PIETRO BELLATO

         Pietro Bellato (Pedro) e Maria Libera Barion formam o casal tronco, no Brasil, de nossa Família Bellato, objeto deste trabalho.
         Pouco conseguimos registrar da história de Pietro Bellato e Maria Libera Barion. Entretanto, suas motivações, sonhos e aspirações, por certo, foram os mesmos de tantos outros imigrantes italianos, famílias de origem agrícola mais empobrecidas, oriundas principalmente da região de Vêneto, que um dia desembarcaram no Brasil recomeçando, com fé, suas vidas por aqui.
         Infelizmente, Pietro faleceu poucos anos depois de sua chegada, e sua família muito teve que lutar para superar as dificuldades surgidas com sua falta. E conseguiram. Deixaram uma descendência, ainda que pequena, bem estabelecida, que sabe honrar uma ancestralidade forte e lutadora.
         Pietro era filho de Lorenzo Bellato e de Antonia Castaldello, ambos nascidos na Itália. Ele, pelo ano de 1845; ela, pelo ano de 1848. Lorenzo era filho de Francesco Bellato e de Catterina Baratella.
Além de Lorenzo, Francesco e Catterina geraram, que conseguimos documentar:
                   1. Giovanni Battista Bellato, nascido pelo ano de 1841. Em 1874, era residente em San Bellino.
         Francesco Bellato, natural de Canda, Província de Rovigo, nascido pelo ano de 1818, faleceu às 16h00 do dia 25 de Abril de 1884, na Via Presciane, 30-B, San Bellino, Província de Rovigo. Era filho de Daniele Bellato e de Cecilia Chinaglia, residentes e falecidos em San Belino.
         Daniele Bellato e Cecilia Chinaglia, além de Francesco, geraram, que conseguimos documentar:
                   1. Paolo Bellato, falecido às 17h00 do dia 05 de Outubro de 1874, na Via Valli, 54-B, em San Bellino, onde residia. Nasceu por volta de 1829. Era natural de Canda, casado com Teresa Chinaglia.
         De acordo com a tradição oral, por motivo de doença de Lorenzo, a família resolveu emigrar para o Brasil, onde o clima seria mais propício à sua cura. Sendo assim Lorenzo, Antonia e os filhos solteiros Maria, Giovanni Battista e Eugenio (Pietro já estava casado), embarcaram em Gênova, Itália, no Navio “Rosário”, da Cia. La Veloce, em meados de Março de 1893, desembarcando no Porto de Santos-SP-Brasil, aos 02 de Abril do mesmo ano. Subiram para São Paulo-SP, onde se registraram na Hospedaria do Imigrante. A filha Paola não veio com a família.
         Ainda conforme a tradição oral, Lorenzo com a família estabeleceu-se na cidade de São Caetano do Sul-SP, por mais ou menos dois anos. Após esse período, pela falta de resultado no tratamento de sua saúde, Lorenzo teria decidido voltar à Itália, acompanhado da família.
         Contudo, segundo documentação encontrada, tudo nos leva a crer que, na realidade, Lorenzo teria vindo como imigrante a fim de se estabelecer no Brasil, em São Caetano do Sul, atual ABC Paulista, onde, na época, estavam sendo distribuídos lotes de terrenos para a constituição de um núcleo de imigrantes italianos. Porém, justamente quando ele chegou ao Brasil, havia-se encerrado a distribuição, o que ocasionou, acreditamos, seu regresso à Itália.
         Não conseguimos documentação de quando a família saiu do Brasil. Todavia, Lorenzo e Antonia já aparecem citados, como morando em San Bellino, em Maio de 1896, por ocasião do casamento da filha Paola Palmira.
               

DESCENDÊNCIA DE LORENZO BELLATO E  ANTONIA CASTALDELLO

         Lorenzo Bellato e Antonia Castaldello foram pais de que conseguimos documentar:

                   1 Pietro Bellato
                   3 Paola Palmira Bellato
                   2 Maria Teresa Agnese Bellato
                   4 Giovanni Battista Bellato
                   5 Eugenio Celio Bellato

         Lorenzo e Antonia ainda tiveram, segundo apuramos, pelo menos mais três filhos, falecidos infantes:
                   - Daniele Bellato, nasceu em San Belino, às 5 h do dia 12 de Outubro de 1873, na residência da Via Perarolo, 53-B, onde faleceu, com 4 dias, aos 16 do mesmo mês e ano. No registro, o nome de seu pai aparece como Bellato Lorenzo di Francesco, e o de sua mãe como Castaldello Antonia di Antonio;
                   - Pasquale Umberto Bellato, nascido às 18h03 do dia 27 de Março de 1880, em San Belino, em residência da Via Perarolo, 53-B, faleceu, com 2 anos de idade, dia 03 de Março de 1883, em San Belino, na residência localizada na Via Presciane 30-B. A declaração do óbito foi feita pelo pai, Lorenzo Bellato, de 38 anos, e pelo avô, Francesco Bellato, de 65 anos. Nessa época consta que Lorenzo era possidente (proprietário);
                   - Renata Bellato, nascida, em San Belino, dia 22 de Janeiro de 1886, na casa localizada na Via Presciane, 30-B, faleceu às 21 h do dia 10 de Abril de 1887, no mesmo endereço. Nesses registros, Lorenzo está mencionado como exercendo a profissão de pizzicagnolo (queijero).


PAOLA PALMIRA BELLATO

         Paola Palmira Bellato, do lar, era natural de San Belino, onde residia na Contrada Perarolo nº 53-B. Nasceu dia 14 de Janeiro de 1872. Em seu registro, consta que seu pai, Lorenzo, tinha a ocupação de industriante. No assento, o nome de seu pai aparece como Bellato Lorenzo di Francesco, e o de sua mãe como Castaldello Antonia di Antonio.
         Paola casou-se, às 10 h do dia 10 de Maio de 1896, em Castelguglielmo, com Enrico Cavallare, nascido pelo ano de 1865, natural de Gaiba, Província de Rovigo, Região de Vêneto, residente em Castelguglielmo, filho de Filippo Cavallare e Maria Meloncelli.
                  
MARIA TERESA AGNESE BELLATO

         Maria Teresa Agnese Bellato nasceu na Via Perarolo, nº 53-B, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália, às 8 h do dia 20 de Novembro de 1874, sendo registrada, por seu pai, no mesmo dia. No assento, o nome de seu pai aparece como Bellato Lorenzo di Francesco, qualificado como commerciante.

         Foi nos relatado verbalmente, que uma das irmãs de Pietro, também, teria se estabelecido no Brasil, tendo residido em São Paulo, no bairro da Mooca.


GIOVANNI BATTISTA BELLATO

         Giovanni Battista Bellato (João Bellato) nasceu aos 26 de Julho de 1877, na Via Perarolo, 53-B, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália. 
         Neste registro, seu pai, Lorenzo, aparece qualificado como industriante.
         Giovanni casou-se com Luiza Castagna, cuja filiação e naturalidade não conseguimos levantar. Viveram no Brasil. Foram pais de:
                   1 Lorenzo Bellato, era moreno e praticava box. Casou-se com Maria Marques Bellato. Moraram no Brás, em São Paulo, e foram pais de que conseguimos apurar:
                            1.1 Irene Bellato (Jorge) casou-se e gerou:
                                      1.1.1 Wagner Jorge. Casado.
                                      1.1.2 Walter Jorge. Casado.
                            1.2 João Bellato (neto) casado com Paulina Fontana Bellato, sem geração.
                   2 Oswaldo Bellato, casado.
                   3 Renato Bellato, morador em São Paulo.
                   4 Ítalo Bellato, homônimo de seu primo de Franca-SP.
                   5 Antonieta Bellato (Tuca) casou-se e gerou:
                            5-1 Diva.
                            5-2 Janete (Toni).

         Os dados relativos à vida de João e Luíza no Brasil foram obtidos a partir de citações orais e informações contidas no site Família Belato. 
          Giovanni Battista Bellato (João Bellato) era eletricista. Faleceu às 18h30, do dia 01 de Novembro de 1923, de "acidental electro sucsão por contato em fios de energia elétrica", conforme atestou o Dr. Balafré Brandão, na cidade de Santa Cruz das Palmeiras-SP, onde residia. Foi sepultado no cemitério daquela localidade.


EUGENIO CELIO BELLATO

         Eugenio Celio Bellato, conforme registro existente no Arquivo Histórico do Distrito Militar de Padova, nasceu aos 23 de Dezembro de 1882, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália. Casou-se, em San Belino, às 11h30 do dia 06 de Dezembro de 1908, com Teresina Montagnolo, natural de San Belino, onde também residia, nascida pelo ano de 1886, filha de Florindo Montagnolo e de Regina Ghinato.
         No assento de seu casamento, consta que Eugenio estava morando em San Bellino, e exercia a profissão de fabbro (ferreiro). Note-se também que nesse assento está informado que seu pai, Lorenzo, já havia falecido em Ramodipalo, Província de Rovigo, e sua mãe Antônia, ainda vivia em San Bellino.

         Eugenio e Teresina foram pais de que conseguimos apurar:
                   1. Giuseppe Aroldo Bellato, natural de San Belino, nasceu, na casa localizada na Via Bocchetta, 15-B, no dia 18 de Março de 1909, às 02h00, registrado no dia posterior.


PIETRO BELLATO

         Pietro Bellato (Pedro), o primogênito, nasceu aos 14 de Julho de 1869, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália, conforme registro existente no Arquivo Histórico do Distrito Militar de Padova, Itália.
         De acordo com relatos de seus netos Lander, Sônia e Thereza de Lourdes, Pietro teria sido cocheiro de profissão, durante o período em que viveu em Franca-SP. Porém, não sabem dizer se era proprietário de um coche, ou se trabalhava para alguém. Sobre sua ocupação na Itália, vide capítulos sobre seus filhos.
         Pietro casou-se, na sua localidade de origem, às 16h00 do dia 26 de Outubro de 1890, com Maria Libera Barion, nascida por volta de 1865, natural de Castelguglielmo, filha de Luigi Barion e Maria Tramarin. Pietro exercia, na época, a profissão de pizzicognolo (queijero); Maria era casalinga (dona de casa).
         Com a emigração de seus pais e irmãos para o Brasil, Pietro decidiu seguí-los. Para tanto, ele, a mulher Maria Libera e o filho de um ano de idade, Renato Fulvio, embarcaram no Porto de Gênova, Itália, no Navio “Montevideo”, no mês de Junho de 1893, desembarcando no Porto de Santos-SP-Brasil, aos 16 de Julho de 1893. Passaram pela Hospedaria do Imigrante, em São Paulo-SP-Brasil, e se instalaram em São Caetano do Sul-SP-Brasil, onde nasceu outro filho do casal: Ítalo.
         Pela tradição oral, e documentação encontrada, a família retornou à Itália, entre Maio de 1896, data do batizado de Ítalo, no Brasil, e Junho de 1897, nascimento do filho Eugenio Antonio, na Itália.
         Após alguns anos na Itália, Pietro resolveu voltar para o Brasil com a família. Desta segunda vez, viajaram no Vapor “Minas”, embarcando no Porto de Genova, Itália, aos 02 de Dezembro de 1904, e desembarcando no Porto de Santos-SP-Brasil, aos 24 de Dezembro de 1904. Registraram-se, novamente, na Hospedaria do Imigrante, em São Paulo-SP.
         Já contando com novos membros, Ítalo, Eugenio Antonio e Ferruccio, a família, após passar pela Hospedaria do Imigrante, tomou como destino a Companhia Agrícola Fazenda Dumont, na região de Ribeirão Preto-SP.
         Segundo relatos na família, Pietro, Maria Libera, Renato Fulvio, Ítalo, Eugenio Antonio e Ferruccio foram residir em Sertãozinho-SP, onde, inclusive, as crianças fizeram a Primeira Comunhão, e devem ter cursado as primeiras séries do antigo curso primário.
         Pietro, com a família, sem data precisa, mudou-se para a Fazenda Cachoeira, na região de Franca-SP, atualmente fazendo parte do município de Restinga-SP, que à época, pertencia à mesma Companhia Agrícola Fazenda Dumont.
         Posteriormente, Pietro, Maria Libera e os filhos estabeleceram-se, definitivamente, na cidade de Franca. Algumas informações obtidas permitem-nos concluir que eles devem ter morado nas redondezas da Rua Tomaz Gonzaga, não muito longe de onde a família construiu sua casa própria.
         Pelas lembranças dos netos, Maria Libera pouco falava de português. Era alta, de olhos azuis e gostava de prender os cabelos em cocó. Tinha amizade com os Miglioranza, que também moravam na Rua Thomaz Gonzaga, no quarteirão anterior ao de sua residência, vizinhos do quartel da polícia, aos quais visitava todas as tardes. Frequentava diariamente a missa das 6h00, na então Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição, sempre vestindo uma longa saia, com um corpete de mangas compridas, de tecido preto encorpado, meias e sapatos também pretos. Usava um par de brincos de ouro, cujas pedrinhas haviam se perdido, o qual deixou de herança para Thereza de Lourdes, sua neta e afilhada.
         Certa vez, tendo ido a São Paulo visitar parentes de Pietro, Maria Libera foi atropelada por um bonde. Em consequência perdeu uma das vistas. A fim de evitar a perda total da visão, o filho Ítalo a levou a Campinas-SP para tratamento, o que permitiu que permanecesse enxergando até o final de sua vida.
         Pietro Bellato faleceu aos 20 de Julho de 1911, em Franca-SP, de “Endocardite Reumática”, de acordo com o laudo do médico Dr. Luciano Gualberto. Conforme declaração de seu óbito no cartório, feita pelo vizinho Roque Del Monte, Pietro exercia a profissão de “artista”. Foi sepultado no Cemitério da Saudade, na sepultura de nº 3906, mediante o pagamento de 10$000 (dez mil réis), feito por seu irmão Giovanni Battista Bellato (João Bellato).
         Maria Libera veio a falecer, às 20 h do dia 29 de Dezembro de 1941, em Franca-SP, em sua residência, à Rua Thomaz Gonzaga, 224, após ter sofrido um derrame cerebral (AVC) pela manhã do mesmo dia, quando estava varrendo o quintal. Assinou o laudo de sua morte o Dr. Vicente Nesi. Genarino Casabona, seu vizinho, casado com a Tuta, morador na Rua Pe. Anchieta, foi quem declarou seu óbito no cartório.

         Pietro e Maria Libera foram pais de:

                   1 Renato Fulvio Bellato
                   2 Italo (Giuseppe) Bellato
                   3 Eugenio Antonio Bellato
                   4 Ferruccio Bellato


ASCENDÊNCIA MATERNA DE PIETRO BELLATO

         Sobre Antonia Castaldello, mãe de Pietro, ainda não nos foi possível documentar sua ascendência. Contudo, localizamos dados de alguns membros da Família Castaldello, que acreditamos possam ser irmãos de Antônia Castaldello, esposa de Lorenzo Bellato.         São filhos de Antonio Castaldello e de Maria Piva, proprietários de terras.
         De Antonio Castaldello, ainda não encontramos informações. Maria Piva, do lar, faleceu, já viúva, no dia 09 de Abril de 1896, às 23h00, em San Bellino, na residência da Via Bocchetta, 12-B, nascida pelo ano de 1819, natural de Castelguglielmo, filha de Domenico Piva e de Lugia Catto, falecidos em Castelguglielmo.
         Esta nossa “intuição de pesquisadores”, baseia-se na analogia das informações contidas nos registros de nascimentos de filhos de Lorenzo e Antônia, (Paola e Daniele). Neles Lorenzo aparece citado como Bellato Lorenzo di Francesco, e acabamos descobrindo que Lorenzo era filho de Francesco Bellato.
         O mesmo ocorreu com Antonia, que aparece citada como Castaldello Antonia di Antonio, o que nos leva a crer que ela poderia ser filha de um Antonio. Talvez o Antonio Castaldello casado com Maria Piva.
         Estas informações somente aparecem nos registros mais antigos, inteiramente manuscritos, o que não ocorre naqueles feitos em material impresso.
         Os filhos de Antonio Castaldello e de Maria Piva que encontramos são:
                   1. Giuseppe Antonio Castaldello, aldeão, nascido pelo ano de 1841, natural de San Bellino, onde morava e se casou, aos 11 de Novembro de 1872, às 11h00, com Elena Bellato, do lar, natural de San Bellino, onde também residia, nascida por volta de 1849, filha de Luigi Bellato e de Oliva Masini. Pais de que documentamos:
                            1.1 Barbarina (também citada como Barbara) Castaldello, do lar, nascida pelo ano de 1874, em San Bellino, onde residia e se casou, às 11h00 do dia 28 de Maio de 1893, com Leopoldo Veronesi, agricultor, nascido por volta de 1871, nascido e residente em Castelguglielmo, filho de Giuseppe Veronesi e de Angela Debellini;
                            1.2 Enrico Giovanni Castaldello, nascido aos 06 de Outubro de 1876, às 23h20, na residência da Via Bocchetta, 57-B, em San Bellino;
                            1.3 Luigi Castaldello, nascido às 22h40 do dia 21 de Maio de 1879, na residência da Via Bocchetta, 57-B, em San Bellino;
                            1.4 Maria Luigia Castaldello, nascida, na residência da Via Bocchetta, 12-B, San Bellino, aos 18 de Maio de 1884, às 20h30.

                   2. Catterina Felicita Castaldello, do lar, nascida por volta de 1849, residente em San Bellino, onde se casou, às 09h00 do dia 02 de Agosto de 1874, com Giovanni Arcangelo Stocco, pedreiro, morador em Castelguglielmo, nascido pelo ano de 1851, filho de Antonio Stocco e de Cristina Maragno;
                   3. Luigi Castaldello, nascido pelo ano de 1851 (provavelmente gêmeo de Luigia), trabalhador rural, natural de Presciane, município de San Bellino, residente na cidade de San Bellino, onde se casou, às 12h00 do dia 07 de Outubro de 1872, com Maria Maneo, do lar, nascida pelo ano de 1852, natural de Polesella, Rovigo, onde morava, filha do falecido Cesare Maneo e de Angela Pastore;
                   4. Luigia Clelia Castaldello, nascida pelo ano de 1851 (provavelmente gêmea de Luigi), natural de Presciane, município de San Bellino, casada, no dia 15 de Fevereiro de 1874, às 9h00, em Píncara, Rovigo, com Alessandro Pavanello, morador em Píncara, onde nasceu pelo ano de 1854, filho de Giovanni Battista Pavanello e de Artemisia Maneo, proprietários de terras.  


ASCENDÊNCIA PATERNA DE MARIA LIBERA BARION

         Luigi Barion, pai de Maria Libera, tinha como profissão mugnajo (moleiro). Nasceu por volta de 1836 (37 anos em 1873), conforme declarou por ocasião do registro de sua filha Emma, quando também informou ser natural e morador de Castelguglielmo. O endereço da família era Via Umbertiana, nº 146 A. Nesse assento, Luigi aparece com o nome de Barion Luigi fu Pietro, o que nos leva a deduzir que ele poderia ser filho de um falecido Pietro Barion.
         Há famílias, inclusive em Franca-SP, que assinam Barioni (talvez aportuguesamento do original), mas não conseguimos, ainda, ligá-las aos ancestrais de Maria Líbera.


DESCENDÊNCIA DE LUIGI BARION E MARIA TRAMARIN

         Conseguimos localizar mais três filhos de Luigi Barion e Maria Tramarin, irmãos de Maria Líbera:
                   1. Giovanni Battista Barion, nascido aos 25 de Março de 1868, natural de Castelguglielmo, Rovigo, conforme dados constantes no Arquivo Histórico do Distrito Militar de Padova, Itália. Casou-se, no dia 1º de Maio de 1904, em San Bellino, com Chiara Vittoria Dal Fiume, natural de San Bellino, onde residia, nascida por volta de 1869, filha de Antonio Dal Fiume, falecido em San Belino, e de Luigia Lanzoni, ainda lá residente;
                   2. Emma Barion, nascida aos 17 de Setembro de 1873, natural de Castelguglielmo, registrada no dia 22 do mesmo mês e ano. Casou-se, em San Bellino, no dia 25 de Maio de 1896, com Prospero Ferruccio Barbujani, viaggiatare (viajante), natural de Adria, onde residia, nascido por volta de 1869, filho de Costante Barbujani e de Marianna Guarnieri, residentes em Ádria;
                   3. Pietro Barion, nascido a 01 de Fevereiro de 1876, natural de Castelguglielmo, Rovigo, também conforme dados constantes no Arquivo Histórico do Distrito Militar de Padova, Itália. Casou-se, aos 18 de Janeiro de 1903, em San Bellino, com Cristina Gallani, aí residente, natural de Bagnolo di Pó, Rovigo, nascida pelo ano de 1872, filha de Antonio Gallani, falecido em Bagnolo di Pó, e de Vincenza Valetini lá residente.


ASCENDÊNCIA MATERNA DE MARIA LIBERA BARION

         Conforme idade informada em 1873 (33 anos), no registro da filha Emma, Maria Tramarin, mãe de Maria Libera, nasceu pelo ano de 1840. Era natural de San Belino. Nesse assento, seu nome está grafado como Tramarin Maria di Giovanni. Aventamos poder ser ela, então, filha de um Giovanni Tramarin.
         Encontramos filhos de um Giovanni Tramarim casado com Antonia Donega, que, dentro do raciocínio com que descobrimos os pais de Lorenzo Bellato, podem ser irmãos de Maria Tramarin:
                   1. Angela Tramarim, falecida em San Bellino, donde era natural, às 11h00 do dia 20 de Janeiro de 1872, em sua residência, à Contrada Argine S. Maria nº 109;
                   2. Domenico (di Giovanni) Tramarin, nascido pelo ano de 1850, que foi quem declarou o óbito de sua irmã Angela.
         O sobrenome Tramarin, da mãe de Maria Libera, pode ser encontrado no Brasil. Todavia, não foi possível, ainda, descobrir se existe alguém com a mesma ascendência de Maria Libera.


DESCENDÊNCIA DE PIETRO BELLATO E MARIA LIBERA BARION


RENATO FULVIO BELLATO

         Renato Fulvio Bellato nasceu às 7 h do dia 30 de Maio de 1892, na Via Presciane, 30-B, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália. A profissão declarada de seu pai, por ocasião do registro de seu nascimento, era oste (taberneiro).
         Eletricista de profissão, Fulvio foi funcionário da Companhia Francana de Eletricidade.
         Renato Fulvio faleceu, solteiro, aos 28 de Dezembro de 1912, em Franca-SP, de “Sideração pela Eletricidade”, conforme laudo do perito Caetano Petraglia Sobrinho, quando ajudava seu colega de trabalho, Gustavo Forster, consertar um transformador próximo a Santa Casa de Misericórdia de Franca. Declarou seu óbito, no Cartório, Raul de Andrade. Foi sepultado no Cemitério da Saudade de Franca-SP, na sepultura de nº 4143, mediante o pagamento de 10$000 (dez mil réis), feito por José Felix.
         A morte de Renato Fulvio gerou Processo Criminal, que foi arquivado por não haver nos autos matéria para denúncia. Contudo, conforme relato de seu irmão Ítalo Bellato, a família recebeu da Companhia Francana de Eletricidade uma determinada quantia com a qual adquiriu um terreno, localizado na esquina das ruas Dr. Julio Cardoso e Thomaz Gonzaga, onde ele Ítalo, o irmão Eugenio Antonio e alguns companheiros deles de profissão, construíram uma pequena casa, ainda hoje em poder dos descendentes.


EUGENIO ANTONIO BELLATO

         Eugenio Antonio Bellato nasceu às 21 horas, do dia 12 de Junho de 1897, na Via Bocchetta, 16-B, em San Bellino, Província de Rovigo, Região do Vêneto, Itália. Era magro, de altura mediana, olhos gateados, nariz adunco, cabelos castanhos lisos. 
         Foi convocado pela Junta Militar de Franca, conforme Relação de 31 de Agosto de 1918, divulgada pelo Jornal Tribuna da Franca, de 07 de Setembro de 1918. Serviu o Exército em São Paulo-SP.
         Participou, como voluntário, da Revolução de 1924, chefiada pelo General Isidoro Dias Lopes, em São Paulo-SP. Desse tempo, guardava em uma caixa suas bombachas, suas polainas e uma bala de fuzil.
         Pintor de profissão gostava de utilizar, também, máscaras de flores em suas obras. Foi sócio da União dos Pedreiros de Franca, conforme comprova a Ata da Assembléia de 25 de Janeiro de 1933. Foi sócio-fundador do Sindicato dos Operários em Construção Civil de Franca, constituído em assembléia realizada na sede da Associação Beneficente do Trabalho (ABT), em 01 de Setembro de 1933.
         Esteve noivo de uma moça, moradora na região de Patrocínio Paulista-SP, que faleceu atingida por um raio, o que o deixou muito triste.
         Apesar de ser considerado “caladão”, era muito querido pelos sobrinhos Lander, Benedito, Sônia e Thereza de Lourdes. Para eles e alguns amiguinhos da vizinhança, como o Rubens Casabona, e o Dino Maranha, Eugenio Antonio contava estórias, fruto de sua imaginação, como a de Joãozinho sem Medo, Rompe Ferro, Rompe Monte, Homenzinhos Habitantes do Subterrâneo que saíam pelo Fogão à Lenha, dentre outras.
         Faleceu solteiro, aos 27 de Fevereiro de 1941, em Franca-SP, de “Endocardite Crônica”, conforme laudo do Dr.José Brickman. Declarou seu óbito, no cartório, o amigo Nicola Bertoni. Foi sepultado em sepultura comum sob nº 1439, no Cemitério da Saudade, em Franca-SP


FERRUCCIO BELLATO

         Ferruccio Bellato nasceu aos 28 de Outubro de 1900, na Itália, de acordo com o Arquivo Histórico do Distrito Militar de Padova, no qual, porém, não consta a localidade onde teria nascido. Contudo, nos proclamas de seu casamento, declarou que era natural da Província de Rovigo. Seu filho Lander conta ser ele oriundo de Treponti, uma aldeia que faz parte do município de Lendinara, na Província de Rovigo. Porém, não conseguimos encontrar o registro do nascimento de Ferruccio.
         Treponti, onde Ferruccio teria nascido, conta, atualmente, com 79 habitantes.
         Em Franca, Ferruccio exerceu o ofício de sapateiro. Era fabricante de calçados, com especial dedicação à linha infantil, criando modelos muito bonitos, conforme recordava sua esposa Gina.
         Era considerado pelo Directorio Politico do Partido Republicano Paulista de Franca, amigo e correligionário.
         Faleceu aos 24 de Dezembro de 1932, em Franca-SP, de Meningo Encefalite conforme laudo do Dr. Júlio B. Costa. Foi sepultado em sepultura comum sob nº 2628, no Cemitério da Saudade, em Franca-SP.
         Ferruccio casou-se, aos 05 de Julho de 1924, na Igreja de N. Senhora Aparecida (Capelinha), em Franca-SP, com Gina Leporoni, filha de Bonfilio Leporoni e de Catarina Cecchi.


DESCENDÊNCIA DE FERRUCCIO BELLATO E GINA LEPORONI

         Ferruccio e Gina depois de casados passaram a residir na Rua Thomaz Gonzaga, 12-B, ao lado do prédio onde funcionou a Casa Bandeirante, de propriedade do Sr. Miguel, defronte à Escola Estadual Cel. Francisco Martins. Posteriormente, mudaram-se para uma casa localizada na mesma rua, enfrente onde, atualmente, está estabelecida a Papelaria Mendonça. Com a enfermidade de Ferruccio, passaram a morar na casa da mãe dele, Maria Libera. 
         Foram pais de:

                   1 Maria Aparecida Bellato
                   2 Lander Bellato                
                   3 Benedito Bellato

         O casal ainda gerou os gêmeos Antônio e José, nascidos aos 30 de Dezembro de 1925, com seis meses de gestação, falecidos às 16 h, nessa mesma data, conforme laudo do Dr. João Mathias Vieira, e declaração de Ferruccio no cartório. Foram sepultados no Cemitério da Saudade, em Franca-SP.

         1 Maria Aparecida Bellato, nascida aos 18 de Março de 1925, foi batizada aos 15 de Outubro de 1925, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Franca-SP, pelo Padre Frei Amâncio Mácua, apadrinhada por seu avô materno, Bonfílio Leporoni e por Angelina Miglioranza, parteira e amiga da família. Faleceu aos 26 de Outubro de 1925, de “Gastroenterite”, conforme declarou no cartório, seu tio paterno, Italo Bellato. Foi sepultada no Cemitério da Saudade, em Franca-SP.

         2 Lander Bellato, nascido às 6 h do dia 22 de Dezembro de 1926.  Foi batizado aos 27 de Abril de 1927, na Igreja de Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), em Franca-SP, pelo Padre Frei Pedro Firmens, tendo como padrinho, o tio paterno, Ítalo Bellato e como madrinha, a tia materna, Lena Leporoni.
         Lander casou-se, aos 10 de Novembro de 1949, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Franca-SP, com Maura Rodrigues de Freitas, filha de Vicente Rodrigues de Freitas e de Leonides Alves Taveira.

         Lander e Maura foram pais de:

                   1 Sara Líbera Bellato, casada com Maximo Iside, natural da Itália, filho de Rafaello Iside e de Giovanna. Pais de:
                                      1-1 Sofia.
                                      1-2 Laura.

         3 Benedito Bellato (Ditinho) nasceu aos 06 de Julho de 1929, em Franca-SP, onde foi batizado com o nome de Lancaster Benedicto, aos 09 de Fevereiro de 1930, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, pelo Padre Frei Antonio Diez, tendo como padrinhos Ernesto Pini e sua mulher Fernanda, amigos da família.
         Faleceu, solteiro, às 4 h do dia 08 de junho de 1950, conforme declarado, no cartório, por seu tio materno, Nello Leporoni. Foi sepultado no Cemitério da Saudade, em Franca-SP.


ÍTALO BELLATO

         Ítalo Bellato, homônimo de seu primo paterno, nasceu aos 10 de Agosto de 1895, em São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil. Foi batizado com o nome Italo Giuseppe, aos 10 de Maio de 1896, na Igreja de São Caetano, pelo Padre André Bigioni, tendo como padrinhos Achille Brinanzi e Carolina Barioni. Qual seria o grau de parentesco de Carolina com Maria Líbera?
         Com seus pais e o irmão Renato Fulvio, Ítalo, ainda bebê, foi para a Itália, onde viveu até seus nove anos de idade, cursando lá as 1ª e 2ª séries escolares, quando então seus pais decidiram retornar, definitivamente, para o Brasil.
         Em Franca-SP, Ítalo, entre os anos de 1916 e 1918, esteve noivo de Caetana, filha de Michele Maniglia e de Antonia Rofrano, noivado este aprovado com muito gosto pelos Maniglia. Consideravam o jovem Ítalo um compatriota muito simpático, educado, respeitoso, sóbrio e com as melhores intenções, conforme descrito no livro MANIGLIA, UMA FAMÍLIA MEMORÁVEL, de João Maniglia e Antônio de Pádua Maniglia. O compromisso não foi avante devido ao falecimento de Caetana, segundo os mesmos autores, aos 05 de Abril de 1918.
         Ítalo foi pedreiro, estimado por seus superiores e por seus clientes. Gostaria de ter sido engenheiro, no que teria se dado muito bem, de acordo com a opinião do Engº. Dr. Joaquim Mariano de Amorim Carrão, responsável pela construção da Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição, em Franca-SP, obra onde Ítalo trabalhou.
         Dentre seus inúmeros trabalhos, sem contar os realizados em residências em Franca-SP, nas fazendas da região, e o já citado, destacamos os seguintes: no Colégio Champagnat-Franca-SP, na Igreja de Nossa Senhora Aparecida (Capelinha)-Franca-SP, na Igreja de Nossa Senhora da Abadia, em Cristais Paulista-SP, na Igreja de São José, em São José da Bela Vista-SP, na Igreja do Divino Espírito Santo, em Nuporanga-SP, na Igreja de N. Senhora Aparecida, em Itirapuã-SP, trabalhando nesta última cerca de dez anos, do início ao final de sua construção.                   
         Ítalo era metódico. Gostava de saborear pão mergulhado no vinho tinto seco, com salada de feijão; de sopinha de leite com pão; de macarronada com queijo parmesão; de polenta, que ele fazia questão de preparar.
         Comia pouco. Fazia três refeições diárias. Mastigava até os líquidos. Quando indagado a respeito dizia:
         - Vai que tem um grãozinho de terra, ou uma minhoquinha...
         Possuía dentes fortes. Falava que era por ter comido muita rapadura quando criança, na fazenda em Sertãozinho-SP, onde morou na infância. Faleceu com quase todos os dentes, já pequenos e desgastados, sem sequer ter o hábito de frequentar consultórios dentários.
         Também quando suas netas faziam um pampeiro por encontrarem um bicho na goiaba que estavam comendo, Ítalo dizia:
         - Qual o problema, bicho de goiaba, goiaba é!
         Sobre a Itália falava pouco. Saudades? Talvez... Mas houve algumas lembranças que quis compartilhar. Relatava que na região onde morava com a família costumava nevar. No inverno eram então obrigados a se servirem de alimentos em conserva, preparados por eles nas estações quentes, como a carne mantida na gordura e os legumes em forma de picles.
         O frio, também, trazia alegria às crianças. Ao acordarem pela manhã pegavam suas canequinhas, colocavam vinho e açúcar no fundo, e as enchiam com neve. Saboreavam algo similar à raspadinha brasileira.    
         Gostava de falar sobre “casos acontecidos”, principalmente os pitorescos. Como quando ele, certa vez, foi à casa de um fazendeiro seu cliente e a dona da casa ao abrir-lhe a porta, com grande susto disse-lhe:
                   - Sr. Ítalo como pode estar aqui se o senhor já morreu?! Para o que ele respondeu:
                   - Se estivesse morto não estaria aqui em carne e osso! Ela então se desculpou. Falou tê-lo confundido com outro Ítalo.
         Em outra ocasião, contava ele, um morador na zona rural da cidade de Itirapuã foi a cavalo para a cidade. Como o tempo estava anunciando chuva, e ele estava “necessitado”, resolveu então aproveitar o fato, e urinou na roupa para não precisar descer do cavalo. O problema foi que a chuva não caiu...
         Para os netos contava estórias engraçadas, todas inventadas por ele. Por isso quando alguém queria que ele repetisse alguma delas, precisava ajudá-lo a recontá-la, pois ele já a havia esquecido. Versavam sobre o cotidiano. Estórias que provocassem medo não faziam parte de seu repertório.
         Quando indagado sobre “assombração” ria e dizia:
                   - Isso não existe! Preste atenção, se você separar essa palavra em duas veja no que ela se transforma, “sombras são”!
         Faleceu, no dia 02 de Agosto de 1980, na Santa Casa de Misericórdia, em Franca-SP, e foi sepultado no Jazigo da Família Bellato, no Cemitério da Saudade, nessa mesma cidade. Sua neta Magda, nesse momento, presente ao seu lado, recorda que seu avô se “despediu” rezando Ave, Maria, piena di grazia, il Signore è con te...
         Ítalo casou-se com sua cunhada, Gina Leporoni Bellato, viúva por óbito de Ferruccio Bellato, filha de Bonfilio Leporoni e de Catarina Cecchi. 
         Foram pais de:

                   1 Sônia Belato

                   2 Thereza de Lourdes Bellato


DESCENDÊNCIA DE ÍTALO BELLATO E GINA LEPORONI


SÔNIA BELATO


         Sônia Belato, nascida aos 08 de Abril de 1933, em Franca-SP, foi batizada, com o nome Sônia Maria, aos 25 de Setembro do mesmo ano, na Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, em Patrocínio do Sapucaí, atual Patrocínio Paulista-SP, pelo Padre José Blasco. Seus padrinhos foram Zeferino Pinto de Souza, pedreiro, amigo de seu pai, e sua mulher Adriana Câmara de Souza.
         Sônia foi crismada aos 08 de Dezembro de 1934, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Franca-SP, pelo Bispo Dom Alberto José Gonçalves, sendo sua madrinha Hilda Migliorini, casada com José Maniglia, carpinteiro, amigos da família.
         Sônia casou-se, aos 30 de Julho de 1955, na Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Franca-SP, com Antônio Rodrigues de Freitas, filho de Vicente Rodrigues de Freitas e de Leonides Alves Taveira. Após o casamento, passou a assinar Sônia Belato de Freitas.

         Sônia e Antônio geraram:

                   1 Sônia Regina Belato de Freitas
                   2 Maura Maria Belato de Freitas
                   3 Marta Maria Belato de Freitas
                   4 Antônio Fernando Belato de Freitas
                   5 Sandra Teresa Belato de Freitas
                   6 Gina Mara Belato de Freitas
                   7 Magda Maria Líbera Belato de Freitas

         1 Sônia Regina Belato de Freitas Lelis. Casou-se com Walter Antônio Marques Lelis, natural de Franca-SP, nascido aos 13 de Janeiro de 1953, filho de Walter Lellis e de Maria D’Apparecida Marques Lellis; neto paterno de Joaquim Luiz Lellis e Alcina Santos Lellis; neto materno de Luciano Marques Ferreira e Maria José de Araújo; bisneto, pelo lado paterno, de Casciano de Lellis e Silva e Maria Rita do Carmo Barbosa e de Amando Teixeira Santos e Catarina de Oliveira Santos; pelo lado materno, de Antonio Marques da Silva Telles e Victalina Rosa de Menezes, e de Bernardino Bernardes de Freitas e Maria Ribeiro de Araújo. Sem filhos.

         2 Maura Maria Belato de Freitas Bizinoto, gêmea de Marta Maria. Casou-se com Odair Bizinoto, filho de Ludovico Bizinoto e de Maria de Lourdes Campos. Pais de:

                   2-1 Kelly Cristina de Freitas Bizinoto. Casou-se com Jarbas Bartolomeu Dias, filho de Antônio Dias da Silva e de Marília Bartolomeu;

                   2-2 Carlos, falecido ao nascer;

                   2-3 Mayara Cristina de Freitas Bizinoto;

                   2-4 Bruno de Freitas Bizinoto.

         3 Marta Maria Belato de Freitas Cintra, gêmea de Maura Maria. Casou-se com Paulo Sérgio Cintra, filho de Mário Felizardo Cintra e de Maria Alice Finardi. Pais de:

                   3-1 Paola de Freitas Cintra.

         4 Antônio Fernando Belato de Freitas, gêmeo de Sandra Teresa. Casou-se com Selma Cristina Paschoal de Oliveira Freitas, filha de Antônio José de Oliveira e de Vera Paschoal de Oliveira. Pais de:

                   4-1 Ítalo Paschoal Oliveira Belato de Freitas;

                   4-2 Antônio, falecido ao nascer;

                   4-3 Igor Paschoal Oliveira Belato de Freitas;

                   4-4 Ian Paschoal Oliveira Belato de Freitas;

                   4-5 Iuri Paschoal Oliveira Belato de Freitas.

         5 Sandra Teresa Belato de Freitas Pascoal, gêmea de Antônio Fernando. Casou-se com Reinaldo Antônio Pascoal, filho de Isauro Pascoal e de Augusta Bizinoto. Pais de:

                   5-1 Catarine Belato de Freitas Pascoal;

                   5-2 Caroline Belato de Freitas Pascoal;

                   5-3 João Paulo Belato de Freitas Pascoal.

         6 Gina Mara Belato de Freitas, gêmea de Magda Maria Líbera. Divorciada de Luís Cláudio Kellner, filho de Zigomar Kellner e de Maria de Lourdes Taveira Kellner. Geraram:
                   6-1 Luís Cláudio Kellner Filho.

         7 Magda Maria Líbera Belato de Freitas Barichello, gêmea de Gina Mara. Casou-se com Ricardo Barichello Neto, natural de Guariba-SP, nascido aos 22 de Maio de 1962, filho de Luiz Barichello Neto e de Marinete Sgarbosa Barichello; pelo lado paterno, neto de Ricardo Barichello e Carlota Sachs Barichello; bisneto de Luiz Barichello e Ângela Nardi Barichello; pelo lado materno, neto de Natal Sgarbosa e Hermecinda Garcia Sgarbosa; bisneto de Benedicto Scarbossa e Angela Daiglinfo; de Bento Garcia Servinho e Maria (Mariquinha) Cortez Garcia; trineto de Natale Scarbossa e Magdalena Guidin; de João Daiglinfo e Maria Zanon; de José Garcia e Florinda Cerquilho; de José Cortez e Anna Moreno. Pais de:

                   7-1 Fúlvio Belato de Freitas Barichello;

                   7-2 Pedro Belato de Freitas Barichello.


THEREZA DE LOURDES BELLATO

         Thereza de Lourdes Bellato Kaluf nasceu aos 04 de Outubro de 1936, em Franca-SP, onde foi batizada com o nome Therezinha de Lourdes, aos 29 de Junho de 1937, na Igreja de Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), pelo Padre Frei Ângelo Álvares, tendo como padrinho, o tio paterno, Eugenio Antonio Bellato e madrinha, a avó paterna, Maria Libera Barion.
         Casou-se, aos 20 de Junho de 1959, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Franca-SP, com Antônio Marcos Kaluf, natural de Jeriquara-SP, onde nasceu aos 10 de Junho de 1934. Falecido aos 09 de Julho de 2008, em Franca-SP. Filho de Rachid Kaluf, natural da Síria, e de Victoriana Silva, natural de Cristais Paulista-SP. Pelo lado Paterno, neto de Antônio Abrão Kaluf e de Isaías Bittar; bisneto de Abrão Kaluf. Pelo lado Materno, neto de Antônio Coelho da Silva e de Emília Basília.

         Thereza de Lourdes e Antônio Marcos geraram:

                   1 Antônio Marcos Kaluf Júnior

                   2 Marco Antônio Bellato Kaluf

                   3 Márcio Antônio Kaluf

                   4 Angélica Teresa Bellato Kaluf

                   5 Marco Aurélio Bellato Kaluf

         1 Antônio Marcos Kaluf Júnior casou-se com Maria Angélica de Oliveira Kaluf, filha de Onofre de Oliveira e de Josefina Ferraro de Oliveira. Pais de:

                   1-1 Isabela de Oliveira Kaluf;

                   1-2 João Paulo de Oliveira Kaluf.

         2 Marco Antônio Bellato Kaluf casou-se com Rita Maria Ribeiro Kaluf, filha de Geraldo Ribeiro e de Ema Rosa Ribeiro. Pais de:

         2-1 Pedro Ribeiro Kaluf;

         2-2 Cassiano Ribeiro Kaluf.

         3 Márcio Antônio Kaluf casou-se com Maria Beatriz Nascimento Maniglia Kaluf, filha de Wilson Maniglia e de Maria Sílvia Nascimento Maniglia. Pais de:

                   3-1 Márcio Antônio Kaluf Júnior;

                   3-2 Marina Beatriz Maniglia Kaluf;

                   3-3 Roberta Maniglia Kaluf;

                   3-4 Lucas Maniglia Kaluf;

                   3-5 Letícia Maniglia Kaluf;

                   3-6 Bruna Maniglia Kaluf;

                   3-7 Bernardo Maniglia Kaluf.

         4 Angélica Teresa Bellato Kaluf de Andrade casou-se com Antônio Fernando Menezes de Andrade, filho de João Junqueira de Andrade e de Maria do Carmo Menezes de Andrade. Pais de:

                   4-1 Camila Kaluf de Andrade;

                   4-2 Felipe Kaluf de Andrade;

                   4-3 Leonardo Kaluf de Andrade.

         5 Marco Aurélio Bellato Kaluf casou-se com Juliana Bittar Archetti Kaluf, filha de Mário Archetti e de Teresa Cristina Bittar Archetti. Pais de:

                   5.1 Nicholas Archetti Kaluf.























3 comentários:

  1. Parabéns Sônia e Walter por esta pesquisa ;)

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  2. olá sônia tudo bem ?
    Primeiramente gostaria de parabenizar pela sua página e pesquisa !!
    Bom eu fiquei super interessada pois na lista de trabalhadores encontrei o sobrenome dos meus descendentes pois sou da família Sgarbosa que no caso era pra ser Scarbossa neé rs Mais infelizmente eu não tenho informação de que navio eles vieram pro brasil e nem que cidade da itália eles eram..por isso, pensei que como eles estão na lista de trabalhadores vc saberia me informar se eles vieram no mesmo navio que seus parentes??
    bom desde já obrigada pela atenção e mesmo que não conseguir agradeço!! Até mais (anasgarbosa@hotmail.com)

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  3. Prezada Sônia, apreciei muito o seu trabalho sobre as famílias italianas e encontrei o sobrenome da minha avó paterna entre os citados no trecho "tendo como padrinhos Ernesto Pini e sua mulher Fernanda, amigos da família." Gostaria de saber se teria alguma referência quanto aos Pini, da região de Franca-SP, pois acredito se tratar da minha família. Muito obrigada desde já, e parabéns novamente pela matéria e pelo blog! Meu e-mail é giparras@hotmail.com se puder entrar em contato. Atenciosamente, Giovanna Pacheco Parras

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